Carlos Imbassahy
A alma,
seguindo a lei de evolução que rege os corpos, se vem desenvolvendo, através
dos reinos da natureza e através dos séculos até chegar à nossa espécie.
Ela traz,
portanto, ao entrar na vida humana, resíduos milenários, e daí a selvageria, o
egoísmo, a fereza, os sentimentos inferiores que parecem constituir os
caracteres da grande maioria dos seres.
Para
acelerar o nosso progresso espiritual vem o Criador enviando ao Planeta os seus
Instrutores e eles nos comunicam as leis divinas, que são a pauta de nossa
conduta, que são os ensinos que nos devem encaminhar ao Bem e aos bons
sentimentos.
O
Bramanismo, cujas raízes se perdem no tempo, recomenda aos homens a coragem
moral, a sabedoria, o amor às criaturas, o sacrifício, a retidão, a
austeridade.
No Prasada
se atribui a Krishna as máximas que estabelecem a moral dos povos; elas nos
dizem que o orgulho, a avareza, a crueldade, a cólera, o tédio, as paixões
vergonhosas, os vícios tornam o homem desprezível.
Zoroastro,
há muitos séculos fundava na Pérsia, uma religião digna de respeito.
Jeremias
toma a defesa dos oprimidos, clama pela paz, prega contra a tirania, a veniaga,
o assassínio, os maus costumes. Deixa ao Mundo uma grande lição e um grande
exemplo. Era um homem que chorava, como choram todos aqueles que percebem as
fraquezas do povo, a falência da humanidade.
Buda, 600
anos antes de Cristo, apresenta uma religião fundada na misericórdia, no bem,
na instrução, no desprendimento, no altruísmo, na mansidão, no respeito mútuo,
na fraternidade, na ausência de desejos e paixões.
Recomendava
a ação reta, a existência reta, a linguagem reta, a aplicação reta, o
pensamento reto, a meditação reta. Em síntese, era o não pequeis por
pensamentos, palavras e obras. Por toda parte aconselhava e repetia a máxima
bramânica – Sede como o sândalo que perfuma o machado que o corta.
No Oriente,
fulgiram três grandes estrelas: Lau-Tseu, Mêncio e Confúcio.
Lau-Tseu
apresenta o Livro da Razão Suprema e estabelece os princípios morais que os
dois astros, mais tarde, espalham e desenvolvem.
Mêncio ou
Meng-Tseu, em seu Tratado de Moral, aponta aos homens a sua verdadeira conduta.
Confúcio
resume o seu longo ensino na frase –– Não faças aos outros o que não queres que
te façam.
Detenhamo-nos
agora, nos dois gigantes nascidos naquele país onde floresceu o gênio antigo,
onde a Literatura, a Arte, a Filosofia, a Política foram de uma ousadia que
ainda causa admiração aos séculos que se seguiram.
Dir-se-iam
os precursores do Cristianismo e as suas idéias se ajustam às idéias que nos
trazem os Espíritos, hoje englobadas na obra imorredoura de Allan Kardec.
Foram eles:
Sócrates e Platão. Sócrates deixa a Platão a sua filosofia:
O homem é
uma alma encarnada. Existe antes de tomar um corpo na Terra, à qual deseja
voltar. Não é no corpo, porém, que encontramos a verdade; nele estamos sempre
cheios de desejos, apetites, temores, ambições, quimeras, frivolidades.
A alma
impura, vive presa ao Mundo e persevera no mal. São longos e numerosos os
períodos da vida. Só os bons podem esperar tranqüilamente a passagem deste
plano a outro plano, ou seja a passagem da morte. A maior infelicidade é
conservar a alma cheia de pecados.
Mais vale
receber uma injúria que cometê-la. Devemos ser homens de bem. O bem é que eleva
o homem. Não se deve fazer mal algum por muito mal que nos façam.
A árvore se
conhece pelo fruto.
Como o
Cristo, já Sócrates falava no perigo das riquezas.
–– Pouco
valem as preces. –– ensinava ele –– se a alma não é virtuosa. E não é virtuoso
aquele que prefere os prazeres do corpo às belezas da alma. É o amor que
ornamenta a natureza e é o amor que dá paz aos homens. O amor e a dor
contribuem para o progresso.
Costumamos
ver os erros alheios, esquecendo os nossos. E o homem, na sua existência,
espalha mais o mal que o bem.
Será sábio
não supor saber o que não sabe.
A vida de
Sócrates foi um apostolado. Conhece-te a ti mesmo –– aconselhava sempre. É o
nosce te ipsum de que os romanos fizeram um divisa. É preciso conhecer –– dizia
ele. –– O conhecimento nos leva ao caminho da verdade.
Conhecemos
a vida e os ensinos de Sócrates pelo Diálogos de Platão e Xenofonte. Viveu
ensinando e morreu pelos seus ensinos. Foi vítima de ignorância e da maldade
humana. Os fanáticos não poderiam compreendê-lo, como, ainda hoje, muitos não
compreendem os princípios de lógica nem a lógica dos princípios que os Arautos
do Senhor nos trazem.
Teve a
sorte de quase todos os que se destacam da craveira comum e procuram no bem,
pelo bem e nos ensinos do bem, a felicidade de seus semelhantes.
Fizeram-no
morrer. Mas achanou com seu trabalho, o seu esforço, as suas penas e o seu
sangue, o caminho que estamos palmilhando.
Finalmente
o Cristo. Este legou à humanidade um Evangelho de paz, de harmonia, de perdão,
de amor. Sua maior máxima era um resumo de toda a sua pregação messiânica ––
Amai-vos uns aos outros.
E para Ele
os apodos, o opróbio, o flagício, o açoite, os espinhos, a cruz.
A Missão de Allan
Kardec, edição FEB.

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